Strategy for the iterated prisoner’s dilemma | London | R.Cambusano
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Volto do mercadinho da esquina que as cidades pequenas sempre mantêm. Evangélicos terminam um culto matutino e se despedem com euforia, resquícios do ontem à noite, em nome do senhor Jesus. É a rua. Dois estranhos emparelham a bicicleta e passam suas paradas. De um ao outro desejam a paz do senhor Jesus, a rua é estreita.
É a praça: os velhos jogam baralho e bebem a cerveja, mais gratuita nesta época. Um carro de som já começa a percorrer os ouvidos da cidade. Outros virão em sequência. Respeitam seus turnos, embora não faça diferença. A monotonia das músicas de campanha só destoa em função de uma ou duas, a essas não falta o ânimo. Prefiro as monótonas.
É minha sala com grades na janela: o gato está em processo de olhos semicerrados. Eu jamais saberei o que se processa ali, nele, mas é um gato noturno. Percorre a vizinhança, e quero reiterar: a cidade é pequena.
Seria insuportável enxergar a mais vaga ideia do que vai ali, no gato. Mas sei que é uma coisa muito livre.
Ele se espreguiça, e eu penso: ali se espreguiça uma cidade inteira, patas abertas, boca arreganhada, dentes sempre à mostra.
Não sei de suas eventuais metafísicas, sei que meu gato jamais irá falar.
E algo (ainda) me impede de miar.
a musculatura da cidade | Indianópolis | Francis Aguiar

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