O AMOR e a SENSIBILIDADE são as tecnologias mais potentes da humanidade.

Infelizmente elas não fazem parte dos currículos escolares, a não ser tangencialmente nas disciplinas humanas que, muitas vezes, são apenas decoreba e conteudismo.

Uma sociedade que não se pensa pelo sensível, que não estuda as implicações práticas do amor, está fadada à crise que vivemos agora. Tanta tecnologia científica e tão pouca ética e humanismo.

Escrevo isso depois de me sentir frágil após um pequeno acidente ciclístico e ser ajudada. A ajuda gratuita e voluntária é um gesto de humanidade que nos muda profundamente. Me recompus e quis ajudar alguém, para que o ciclo de amor continuasse.

Vi, então, um menino atirado no chão, da mesma forma em que eu fiquei quando cai da bicicleta. Mas a ele ninguém oferecia ajuda.

Era um menino, que, como eu, estava com o corpo estirado na calçada. Mas ele estava ainda mais frágil do que eu: estava sujo. Pés machucados. Olhos purulentos. Roupas rasgadas.

Fiquei uns minutos tentando saber o que fazer. Não sabia se ele queria algum tipo de ajuda, mas era evidente seu abandono. Acordei-o gentilmente e dei dez reais a ele. “Oh, brigada tia”. E eu sorri pra ele com todo amor que pude.

Segui meu caminho, ainda meio manca, com a certeza de que não são dez reais as ajudas que aquele menino necessita. Negro de cor vibrante e linda, o menino possivelmente é um descente de alguém trazido a força ao Brasil há mais de 1 século e meio. As violências as quais toda sua genealogia fora submetida são talvez inalcançáveis para alguém como eu. Um ser que sofre “apenas” por estar a mercê do ideal bizarro de beleza, do machismo, da homofobia que machuca meus amigos, do odio contra os ciclistas, do desprezo aos artistas etc etc.

Para que aquele menino jogado na rua da Cidade Baixa, em Porto Alegre, exista com dignidade precisamos ser educados para o amor. Para que eu exista com integridade, preciso aprender a existir com a tecnologia do amor muito mais do que qualquer outro tipo de ferramenta.

Sinto que vivemos em uma crise, a maior delas. Somos guiados pela lógica da pressa, da produtividade, que nos faz correr contra o tempo e não a favor dele. As mercadorias precisam ser vendidas, os estoque substituídos, para que dinheiro seja gerado. E o ciclo vicioso da pressa cega nossa sabedoria de AMOR. A crise humanista de hoje não é má (sou uma otimista convicta). É ela que nos permitirá olhar para os seres que tornamos invisíveis e, quem sabe, voltarmos a ser humanos.

the day she found love  | Amsterdam | R.Cambusano

the day she_found_love | Amsterdam | R.Cambusano

in need of love and belongingness    |  R.Cambusano

in need of love + belongingness | Planet Earth | R.Cambusano

20130223-145315.jpg
Camera roll | São Paulo | Jaime Scatena

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: