“Power of Making” or ” … o que a gente não inventa, não existe” | Ilustrado por Cristo, Mozart e Nietzsche.

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Nossa derradeira gratidão para com a arte – Se não tivéssemos aprovado as artes e inventado essa espécie de culto do não-verdadeiro, a percepção da inverdade e mendacidade geral , que agora nos é dada pela ciência – da ilusão e do erro como condições da existência cognoscente e sensível -, seria intolerável para nós. A retidão teria por conseqüência a náusea e o suicídio. Mas agora a nossa retidão tem uma força contrária, que nos ajuda a evitar conseqüências tais: a arte, como a boa vontade da aparência. (…) Como fenômeno estético a existência ainda nos é suportável, e por meio da arte nos são dados olhos e mãos e, sobretudo, boa consciência para poder fazer de nós mesmos um tal fenômeno. Ocasionalmente precisamos rir de nós mesmos, olhando-nos de cima e de longe e, de uma artística distância, rindo de nós ou chorando por nós; precisamos descobrir o herói e também o tolo que há em nossa paixão do conhecimento, precisamos nos alegrar com a nossa estupidez de vez em quando, para poder continuar nos alegrando com a nossa sabedoria! E justamente por sermos, no fundo, homens pesados e sérios, e antes pesos do que homens, nada nos faz tanto bem como o chapéu do bobo: necessitamos dele diante de nós mesmos – necessitamos de toda arte exuberante, flutuante, dançante, zombeteira, infantil e venturosa, para não perdermos a liberdade de pairar acima das coisas, que o nosso ideal exige de nós. Seria para nós um retrocesso cair totalmente na moral, justamente com a nossa suscetível retidão, e, por causa das severas exigências que aí fazemos a nós mesmos, tornarmo-nos virtuosos monstros e espantalhos. Devemos também poder ficar acima da moral: e não só ficar de pé, com a angustiada rigidez de quem receia escorregar e cair a todo instante, mas também flutuar e brincar acima dela! Como poderíamos então nos privar da arte, assim como do tolo?  – E, enquanto vocês tiverem alguma vergonha de si mesmos, não serão ainda um de nós!

 (NIETZSCHE, Friedrich. A gaia ciência. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 132, aforismo 107).

Você, que inventou tudo isso.

E então fiquei contente porque mesmo sabendo que não há nada aqui, eu te vi.

Cities in dialogue:

  • Photo 1 :  ( Man_KING  |  London  | R.Cambusano )
  • Text 1: ( Extermínio | Curitiba | Ygor Raduy )
  • Video: (Introitus and Kyrie | Requiem KV626 by Wolfgang Amadeus Mozart | John Eliot Gardiner conducts the English Baroque Soloists and the Monteverdi Choir | Quoted by Ygor Raduy)
  • Text 2: (A vida como fenômeno estético | Nietzsche | quoted by Ygor Raduy)
  • Photos 2- 5: Ensaio sobre o começo de tudo, Juliana Cordaro, Frankfurt am Main
  • GIF (INRI… | Jaguariúna | Tiago Spina)

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