
Quem é a mulher que aparece na foto? Como é bela. Como tem olhos profundos. O que diz o olhar que ela lança ao espelho? É um enigma. Ela mesma, inteira, recusa a se deixar decifrar. Ela tem algo de esfinge, algo de estátua, algo de escultórico – talvez ela seja, sem saber, uma obra de arte. O que sabemos sobre ela? Nada, ou quase nada. Sabemos que é humana. Mas o que significa mesmo a palavra “humano”? No retrato, ela parece dizer: “Vejam, estou viva. Sei que sou finita mas por enquanto estou viva.” É visível, no retrato, que ela gosta de estar viva, que ela desfruta da vida, que a vida nela é algo em pleno exercício – ela floresce, ela está no esplendor, na crista das coisas, e caminha segura pela metrópole, munida de alegria e coragem.


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