“Pia fraus” ou das mentiras piedosas.

Aquele está oco e quer ficar cheio, esse está repleto e quer esvaziar-se – cada qual é impelido a buscar um indivíduo que sirva a seu propósito. E esse processo entendido em sua mais alta acepção, é designado com uma só palavra nos dois casos: amor – como? O amor deveria ser algo não-egoísta? (p. 112).

A instituição do matrimônio sustenta obstinadamente a crença de que o amor, embora uma paixão, é capaz de duração, e mesmo de que o amor duradouro, vitalício, pode ser erigido em regra. Com essa pertinácia de uma crença nobre, ainda que esta seja muitas vezes, quase normalmente refutada, e portanto seja uma pia fraus [mentira piedosa] ela conferiu ao amor uma superior nobreza  (p.30).

Aprovamos o casamento, em primeiro lugar, porque ainda não o conhecemos; em segundo, porque nos habituamos a ele; em terceiro, porque o contraímos – ou seja, em quase todos os casos. Com isso, porém, não está provado que o casamento seja algo bom (p. 204)

 

* referência das citações: NIETZSCHE, Friedrich. Aurora – reflexões sobre os preconceitos morais. Tradução, notas e posfácio de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

 

Cities in dialogue: photos 1 to 6: São Paulo (Gabriela Canale); photos 7, 8, 9: London (Luciana Franzolin); text selection and photo 10: Curitiba (Ygor Raduy).


Comentários

Uma resposta a ““Pia fraus” ou das mentiras piedosas.”

  1. Lu Franzolin

    Love it!

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