Seu repertório de danças, voa pra cá, voa pra lá, a cidade exibe seus lustres de dança, ou na planura do asfalto ou nos becos, a cidade ruge – e em suas passarelas uma dança híbrida, um esboço – como um dragão cheio de danças, ela, a bailarina branca, ele-ela, sobre as passarelas da tarde, a cidade reina sobre o par dançante – ele ou ela – e a coreografia nervosa, suas veias à mostra, fiéis ao exercício. Pois humanos, tingidos de luz e maquiagem, dançam sobre as plataformas que a cidade exibe – como bodes, potros, bezerros dançariam – eles dançam, trajados de plumas, paetês, coragem. Na cidade, os movimentos de dança são rudes, a dança é a doce trapaça que a dor não alcança, a fina façanha dos que dançam e sobre os viadutos da cidade alçam vôo. Vão de encontro a uma espécie de alegria humana que a dor não alcança – dançam porque assim está escrito, dançam como salvação ou como prece, dançam porque estão até o cerne possuídos. E nada os arranca da dança – a força de suas investidas é bruta – nada consegue dali demovê-los ou minar o robusto círculo de energia que a dança cria à sua volta.
Cities in dialogue: video 1 and text: Londrina (Ygor Raduy); video 2: Sao Paulo (Gabriela Canale); video 3: London (Luciana Franzolin).
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