A menos de um metro de mim um homem procurava comida em um saco de lixo. Simultaneamente, uma mulher e eu, apontamos notas de R$ 2 para ele. Nunca dou esmolas, mas me pareceu que naquele momento fazia algum sentido. Ele se recusava a aceitar e empurrava as notas de volta para nós duas.
A mulher insistiu até que ele pegou as notas. Sem dar importância colocou-as junto com os restos da sacola em que não encontrou nenhum alimento. A mulher insistiu para que ele guardasse o dinheiro. Ele não entendia a mensagem, não era capaz de compreender que o dinheiro poderia ser trocado por comida.
Meu ônibus chegou. Fui da Vila Olímpia até Pinheiros tentando entender do que aquele homem precisava. Como poderia ajudá-lo? Que tipo de ajuda precisa alguém que não é nem capaz de reconhecer a troca simples de dinheiro por coisas?
Cities in dialogue: text: Gabriela Canale (São Paulo); Photo: Isis Fernandes (Berlin); video with chronicle by Clarice Lispector: Ygor Raduy (Londrina).

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