Nas cores há sempre as sombras.

Junto ao pé das coisas habita

logo a mancha delas, pousando em tudo.

Mesmo em movimento, a silhueta das coisas

estende-se, alonga-se, diminui-se,

um espectro a distorcer-se contorcionista

(a sombra faz as coisas dançarem).

Nos rostos, os sulcos mancham o desenho dos traços

e maculam a juventude anterior.

A sombra de tudo é o exato desenho das curvas dos corpos

e é ainda o que segue – quando não anda a frente, adiantada no passo.

De dia ou de noite ela vive nos cantos das cidades,

paira sobre e sob tudo,

entra nas coisas, nas gentes, sem licença.

Cidades | artistas em Diálogo: foto 1 de Gabriela Canale (São Paulo); foto 2  e texto de Ísis Fernandes (Berlim); foto 3 de Luciana Franzolin (Londres); fotos 4 e 5 de Ygor Raduy (Londrina).


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