O que diremos sobre aqueles que, dentro dos galpões da cidade, executam uma estranha dança? O que diremos sobre aqueles que cedem ao poder da música e, esquecidos de si, entregam-se aos batimentos que a cidade produz?
(Há pessoas na cidade empenhadas em fabricar música).
A cidade é pródiga em pulsos, baterias, tambores – a cidade é estruturada segundo um ritmo. Mas o que diremos sobre a música capaz de mobilizar centenas de corpos reunidos na cidade? O que diremos quando o efeito da música sobre os corpos é como uma possessão? É Dioniso, que Alta Grécia desce aos porões de cidade? Será a reuinão de corpos patrocinada pelo deus?
Pois eu vi os corpos, em transe dionisíaco, esquecidos de tudo, os olhos fechados, lançados em dança turbulenta, como se hipnotizados. Estavam ausentes de si mesmos, extraídos do mundo ordinário e transportados ao mundo-ritmo-pulsação da música.
O que diremos pois sobre a variedade de ritmos que a cidade produz? E o que diremos, enfim, sobre o bizarro poder da música sobre os corpos?
E eu vi, de mais longe, uma gigante dança. Quando corpos estáticos bailaram, forçados pela correnteza. Sem música, aqueles simulacros de corpos se mexiam na ponta da manhã que iniciava. O que diremos dessa falta de som? Que diremos desse outro ritmo que a cidade produz? Foi uma valsa, um confronto punk-rock. Corpos sem carne, estripulados, transpassados de sol e inundados em suas sombras, de água.

Es war ein Riesentanz. Es waren Riesen!
Artistas em diálogo / Cidades em diálogo: video e texto 1 Ygor Raduy (Londrina);trilha sonora do video 1: Dennis Ferrer – Hey Hey (Crookers Remix)/Dj Daus; foto 1 e texto 2: Ísis Fernandes (Berlin); vídeo 2 e foto 2 de Gabriela Canale (São Paulo).

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