nenhum um pio sob o céu da cidade

Nas cidades sempre paira qualquer coisa no ar.

Nuvens flutuam silentes de tudo, da vida, da morte,

mesmo que cortadas pelas torres de qualquer crença,

furadas pela certeza absurda do homem de que há mais além,

qualquer coisa que os proteja e os receba no depois.

No chão os pássaros não piam mais!

Há ainda um cheiro de resto de morte,

que impede o vôo:

um frágil corpo esquecido,

meio esticado (e ainda sim contraído),

colorindo o asfalto.

Artistas em Diálogo: texto e fotos 1,2 e 4 de Ísis Fernandes (Göttingen) e foto 3 de Gabriela Canale (São Paulo)


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