Vem, ele te pede. Marca em mim tua cicatriz.
E você não vai. Porque já não quer cicatrizes. Não quer dias cravados a ferro na navalha da carne. Não vai. Não vá tampouco amanhã, quando ele te convidar de novo.

Porque a cada convite uma nuvem te invade. Um céu azul esmorece. Um anjo de pedra despenca.
Não vá nem depois de amanhã.
Nem quando houver no planeta apenas o ferro do sangue de vocês dois. Nem quando houver apenas um desejo imantado e irracional.
Fica. Permanece. Tensiona teu estado de autoimanência. Constitui tua rede de salvamento.
Cities in dialogue:
- Image 1-3: Permanência 1, 2 and 3| Fazenda Serrinha| Jaime Scatena
- Texto: Gabriela Canale | Porto Alegre
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