O que é isso que chama-se felicidade?

felicidade over 2

São inúmeras as guerras

são inúmeras as batalhas

são inúmeras as baixas

por toda extensão de terra

uma bomba cruza o céu

um tremor sacode o chão

pausa pro almoço

“até que enfim”

e se desmancha o batalhão

felicidade over 1

A felicidade é míope…

FELICIDADE DE ARTISTA :

"O artista é um criador de leis, um livre criador de leis infinitas". (Accioly, 1977)

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Já reconhecemos em geral que aquilo que somos contribui muito mais para a felicidade do que aquilo que temos ou representamos. Importa saber o que alguém é e, por conseguinte, o que tem em si mesmo, pois a sua individualidade acompanha-o sempre e por toda a parte, e tinge cada uma das suas vivências. Em todas as coisas e ocasiões, o indivíduo frui, em primeiro lugar, apenas a si mesmo. Isso já vale para os deleites físicos e muito mais para os intelectuais. Por isso, a expressão inglesa to enjoy one’s self é bastante acertada; com ela, dizemos, por exemplo, he enjoys himself at Paris, portanto, não “ele frui Paris”, mas “ele frui a si em Paris”. Entretanto, se a individualidade é de má qualidade, então todos os deleites são como vinhos deliciosos numa boca impregnada de fel.

Assim, tanto no bem quanto no mal, tirante os casos graves de infelicidade, importa menos saber o que ocorre e sucede a alguém na vida, do que a maneira como ele o sente, portanto, o tipo e o grau da sua susceptibilidade sob todos os aspectos. O que alguém é e tem em si mesmo, ou seja, a personalidade e o seu valor, é o único contributo imediato para a sua felicidade e para o seu bem-estar. Tudo o resto é mediato.Por conseguinte, o seu efeito pode ser dirimido, mas o da personalidade, nunca. Por isso, a inveja mais irreconciliável, e que, ao mesmo tempo, é dissimulada do modo mais cuidadoso possível, é aquela dirigida contra os méritos pessoais. Ademais, só a qualidade da consciência é permanente e constante, e a individualidade faz efeito de forma contínua e duradoura, mais ou menos a cada instante. Tudo o resto, pelo contrário, faz efeito apenas de modo temporário, ocasional e passageiro, além de ser submetido a mudanças e vaiações. Por isso, Aristóteles diz: Nam  natura perennis est, non opes [A natureza é perene, não o dinheiro]. Nisso se baseia o facto de suportarmos com mais resignação uma infelicidade que nos chega inteiramente do exterior do que uma cuja culpa caiba a nós mesmos. Pois a sorte pode mudar, mas a própria índole, nunca. Portanto, os bens subjectivos, tais como um carácter nobre, uma mente capaz, um temperamento feliz, um ânimo jovial e um corpo bem constituído e completamente saudável – logo, de modo geral, o mens sana in corpore sano [ mente sadia em corpo sadio] (Juvenal) – são o que há de primário e mais importante para a nossa felicidade; por isso, deveríamos estar muito mais aplicados na sua promoção e conservação do que na posse de bens e honra exteriores.

(SCHOPENHAUER, Arthur. Aforismos para a sabedoria de vida. São Paulo: Martins Fontes, 2002, p. 15-16).

 

Cities in dialogue: Photo 1: Natal (Jean Sartief); Poem 1 and Sound 1: Anápolis-go (Rei de Souza); Photos 2-3 and video 1: S. J. do Rio Preto (Tiago Spina); Citação 1, Video 2: São Paulo (Patrícia Francisco); Citação 2: Curitiba (Ygor Raduy), last photo: São Paulo (Gabriela Canale)


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