Qual o caminho para um mundo melhor?


E quando chovia não saia de casa…
Hoje não se sai de casa…
Nem para melhorar o mundo…

Desculpem o exagero. Voltei a ser criança…

E eram duas, as mãos pegajosas da menina. E nenhuma era a imagem ou vestígio desta infância estereotipada, de peão, pega-pega. Posso descrevê-la, mas a quero cristalina, paralisada, como uma fotografia a qual a memória recorre para substituir sua presença. A menina não riu. Nunca. Dorothy desconheceu as facilidades da infância. Na rua Joaquim Forzano o tempo era de mulheres bombadas, cabelo descolorido e as partes se oferecendo. A menina, sentada na calçada ao redor das amigas. Nenhuma com mais de 8 anos, todas prenunciando o mercado da carne. Público-alvo das revistas de cosméticos e do programa Pânico. Sabiam (sem saber que sabiam) que tudo que uma menina pode ser é um oferecimento de rebolados. Que outra imagem de mulher lhes foi oferecida?

Esta infância da cidade tentacular é a foto que guardanapo nenhum quer contar. A menina não quer contar, ninguém quer ouvir. O que se quer narrar? O que queremos narrar? Que grande aventura? Que epopéia é possível aos 8 anos de uma menina na Vila Guacuri?

Cities  in dialogue: photo: Curitiba (Ygor Raduy), photo 2 Natal/RN (Jean Sartief); photo 3: London (Luciana Franzolin); photo 4: porto alegre (viviane gueller); Photo 5, 6, 7 and Text: Poços de Caldas (Tiago Spina); photo 8: porto Alegre (Joelson Bugila); Photo 9: Anápolis-Go (Rei de Souza); text: São Paulo (Gabriela Canale); photo 10: vale dos vinhedos – RS (viviane gueller); Video 1: São Paulo (Patrícia Francisco);


Comentários

Uma resposta a “”

  1. rei de souza

    belo post! parabéns companheiros!!!

Deixe um comentário