Depois de um ano de planejamento, decido colocar em prática no primeiro semestre de 2011 o que chamo de autorresidência artística. Auto porque quem me oferece moradia, estadia, estrutura para criação e experiência de troca com outros artistas sou eu mesma. Auto, ainda, porque meu espaço de investigação será a cidade onde moro, minha casa, meu corpo. Será um tempo de permanência e criação em mim mesma e em tudo que me circunda. O que pretendo investigar, portanto, será o cenário da cidade e sua escrita coletiva e como me relaciono com eles tentando perceber sua escrita.
1 – exercício contínuo de olhar a cidade e perceber sua escrita como quem observa uma grande obra site specific de criação coletiva (placas, grafites, pichações, trajetos, percursos, muros, territórios, sons);
2 – registrar todos os dias fotograficamente ou em vídeos a escrita anônima (ou não) que permanece e fenece na cidade;
3 – tornar os registros palpáveis (passíveis de transformação, reflexão e collages) transformando-os em objetos impressos;
4 – me relacionar artisticamente com os impressos – perceber as texturas das palavras, as cores, as composições, os tipos de fonte, os efeitos literários, os sons das palavras;
5 – pensar sobre o contexto de cada grafia, entender como o local, o estilo e o sentido dos escritos urbanos podem ampliar seus entendimentos. Pensar também sobre a autoria de todas as grafias;
6 – criar objetos a partir das grafias coletadas e impressas para me relacionar artisticamente com a cidade, isto é, trabalhar técnico-criativa-afetivamente com as palavras;
7 – propor intervenções urbanas para realizar a devolução das palavras canabalizadas; devolvê-las ao grande livro coletivo (a cidade) em diferentes formatos [com recortes, colagens, aplicações em objetos, origamis, etc];
8 – registrar todo o processo;
9 – criar um roteiro audiovisual capaz de contar o processo e transformá-lo em um filme de doc. ficção.
10 – compartilhar o filme com outras pessoas.
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