Visões, visões. Passagem pela Terra, anúncio de um trânsito. Trombetas que anunciam a terra iluminada. Visões: rajadas, rastros, rodopios. Sucessão de instantes captados, sucessão de fotogramas extraídos da terra.
Visões, visões – como aí plasmar um céu? No estudo da terra, a armação do céu aparece projetada em lances.
Visões, miragens. Autarquias por onde se transita, territórios que o mundo abre em seu giro. A paisagem convulsioinada, seus matizes tortos, seus espelhos. São signos forjados pela terra, são cavidades de ar e superfície.
Na terra, executa-se o périplo. O cerne das coisas permanece imaculado – e aí rodamos, sem centro, expulsos de tudo, inscientes de tudo, rodamos sem saber se a terra é fora ou se é por dentro que ela nos habita. Sem sabê-lo, porém, avançamos, audazes, orgulhosos. E registramos, furtivos, as paisagens que a terra fabrica, seu labor de cores, seus campos cultivados, seus prados.
E mesmo – visões, visões – quando a noite sobre a terra desce, seguimos avante, e pesquisamos. Mesmo que da terra não recebamos senão mudez e amplidão. Estamos quietos, e terra é toda cheia de trabalhos. As nuvens em estranha caligrafia dispostas, o matagais onde nada se pode ler senão o róprio estar-aí das folhas, hastes, galhos e sementes. Vagamos, numa escuridão. Somos os habitantes.
Visões, miragens. Somos os habitados. Aqueles que da terra espreitam, semeiam, jazem. Somos os caules, arbustos e todos os entretons em desatino verde.

Visões, paisagens. E a terra vem quase silenciosa. Vem, ele pede. Vem, ele diz. Vem, sussurra. E ela o obedece sempre. E nós quietos, distantes, espectadores silenciosos.

Missões, engrenagens. E o percorrer segue suas marchas, suas velocidades, suas ultrapassagens na paisagem. O que avistamos sempre é a graphia incompleta do partir.
Cities in dialogue: photos 1, 2, 3, 4, 5 and 6 / texts 1, 2, 3, 4 and 5: Argentina (Ygor Raduy); photos and texts 6 to 9: São Paulo (Gabriela Canale).






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