São eles, uns bichos, apresentam aqui

sua substância, estão parados pois são bichos feitos –

isso, bichos manufaturados – são imitações de bichos,

confesso, nem bichos são, mas pedaços de gesso,

metal, massa plástica aos quais foi dado o formato

de bichos, serpentes, galinhas, cãezinhos.

 

-Mas porque os humanos dão forma de bichos a pedaços de metal e de mineral?

– Bem, não sei. Os humanos gostam de bichos. Bichos significam coisas. Na serpente, vêem o mal, o perigo. No cachorro, vêem o amigo.

 

Aqui estão, pois, pedaços de bichos, aliás,

pedaços de matéria à qual foi dado o formato de bichos.

É algo curioso, pois há pedaços de matéria com o

formato dos mais variados bichos, até mesmo

pinguins e libélulas e gafanhotos e mosquitos.

 

– Mas então são animais realmente curiosos esse humanos! Gostam de reproduzir o formato dos outros animais e depois, quando admiram aquela peça, evocam em si mesmos tudo o que imaginam que o bicho representa.

-Sim, são animais estranhos. Eles também comem os outros animais, como é comum na natureza.

-Ah, mas isso quase todos fazem. Na natureza tudo se come e um se transforma no outro e tudo está a todo instante em cópula.

 

Enfim, chegamos ao término da apresentação.

Esperamos que tenham gostado dos nossos

pedaços de bichos, aliás, pedaços de gesso e metal

com o formato de bichos, coisa que os humanos

adoram fazer. Boa noite a todos.

 

Cities in dialogue: photo 1, 4 and text: Curitiba (Ygor Raduy); photos 2 and 3: São Paulo (Gabriela Canale).


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