A: Somos sombra?
B: Não.
A: Somos luz?
B: Não.
A: O que somos então?
B: Quer mesmo saber? Não é algo agradável de se ouvir.
A: Sim, estou preparado.
B: Pois bem. Somos uma configuração provisória de pequenas partículas (ou nem partículas são, apenas energia) que muito em breve desintegrar-se-á, dando lugar a novas configurações de partículas (ou nem partículas, mas energia). Nada disso tem sentido algum. Não fazemos parte de qualquer plano. Somos absolutamente sujeitos às mesmas condições de qualquer pedaço de matéria. Não há beleza, nem ordem, nem escalas, nem leis, nem valores que não sejam criação nossa. Vivemos numa minúscula rocha que chamamos “Terra”. Tal rocha logo será também consumida, de forma que tudo prosseguirá como se não houvéssemos existido. Apesar disso, teimamos em considerar a nós mesmos como criaturas superiores, astuciosas, geniais, especiais, divinas e indestrutíveis. No fim das contas, é terrivelmente cômico. Se existissem deuses, certamente eles se divertiriam muitísimo conosco.
A: Oh! Você é um degenerado! Não crê no ser humano e nem no amor e nem nas coisas boas de que somos capazes e nem blá blá blá blá blá blá blá, etc.
B: Eu avisei.
Cities in dialogue: photos 1, 2, 3, and 4: Berlin (Ísis Fernandes); photos 5 and 6: São Paulo (Gabriela Canale); text and photos 7, 8, 9, 10, 11 and 12: Apucarana (Ygor Raduy).












Deixe um comentário