Entre uma porta e outra, quando a cidade vela em câmaras –
entre uma e outra dobradiça – quando tudo na cidade gargalha,
vive-se ali uma vida insetívora, desde a boca devoradora
às patas de louva-a-deus acopladas a uma cabeça humana.
Atrás das vidraças, quando nas câmaras ardentes da cidade
tudo rebrilha sob outra luz, ali vão trompas, pedaços de magma
desfeito, carne de cordeiro desossada, escombros de cal.
A cidade ruge, dragão revisitado, seu dorso de concreto
oscila e tudo arde sob um calor de febre – ali as damas,
nos puteiros, em enxame, riem uma à outra e bebericam gim,
estão festivas, a cidade reaberta é um vale onde se dança,
onde se entoa um hino ininteligível, onde se rabisca a pedra
e da pedra jorram leite, sêmen e mel cristalizado.
Cities in dialogue: photo 1 and text: Londrina (Ygor Raduy); photo 2 and 4: Venice (Ísis Fernandes); photo 3: Sao Paulo (Gabriela Canale).




Deixe um comentário