A cidade são jogos e artimanhas.
Há horas em que a vida cresce; horas em que vida declina.
Há horas em que um laço é atado; horas em que o mesmo laço se desata.

Na cidade, os jogos são inúmeros.
Há jogos de texto e jogos de imagem.
Há jogos que envolvem o corpo;
outros que são decididos na palavra.

Há horas em que pessoas se unem, exultantes –
quando tudo é riso e futuro
e conversas que jamais terminam.
Diz-se então: “encontrei um amigo”.

Mas em outras horas, as pessoas se afastam,
pois feriram e foram feridas.
Nessa horas, estão sérias e tristonhas.
E as palavras somem, pois já não há o que dizer.

Na cidade, são muitos os jogos.

Quem não sabe jogar, se machuca ou morre.

A cidade não tem misericórdia para com os ingênuos.
Para aqueles que crêem em palavras como
“amor”, “bondade”, “compaixão”, “concórdia”,
a cidade exibe um riso de escárnio.

E à frente de tudo, sob o som de tambores,
vão seus vagalhões de mortos,
seus cordões de massacrados vão,
catando lixo, estendidos nas calçadas como cadáveres,
as crianças envenenadas,
o corpo das meninas maculado
pela voracidade do estupro.

São jogos duros, esses que a cidade arma.
Não se pense que a cidade é um lugar aprazível.
As praças bonitas e as flores são só máscaras.

E a paz é apenas aparente.
Por trás dos muros e nos subterrâneos,
vige uma ordem, lúdica e brutal.

Cities in dialogue: video, text and photomontage: Londrina (Ygor Raduy) – video soundtrack: W.A. Mozart – Requiem KV626 – “Kirie”; photo: London (Luciana Franzolin).


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