Mãos tocam a natureza, tentando alcançar a haste que brota, o tronco das árvores (mais rijos que das gentes).

As mãos criam a natureza, em cores, paleta, pincel, no tecido, em estampas, a fabricam e esperam que flores e folhas caíam na palma, para as gentes colherem imagens.

Doces pés tocam a natureza, joviais, alegres, uma natureza represada em fontes, refrescante. A natureza das gentes duplas, múltiplas, em enquadramentos, em colagens: sombra e luz.

O poeta prende a natureza no verso, lido de outro continente (mas tão perto). Uma voz, que não muda em outra língua, entoa a fala silenciosa do eu-lírico sem rosto ” I wonder about the trees. /Why do we wish to bear /Forever the noise of these/ More than another noise/ So close to our dwelling place? (…) They are that that talks of going/ But never gets away;” e liberta a natureza, a árvore e a poesia, antes congeladas na escrita e agora estalando no céu da boca sonoramente retumbando no peito

– feito eco de encosta no alto da serra: SELVAGEM.

Cities in dialogue: photo 1: São Paulo (Gabriela Canale); photo-collage 2 and Text: Berlin (Ísis Fernandes – extract of the poem “The Sound of the Trees” by Robert Frost – texto inspirado em Juan Espíndola Mata and Paintings by J.Wagenseil and H. Wagenseil); photomontage 3: London (Luciana Franzolin).


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