Extract from the city’s intimate life,
esta línea, una pierna,
um salto na intimidade das casas hinter den Gardinen!
***
Há um corpo alimentado com sangue.
Há veias que distribuem sangue pelo corpo.
Há um ruído fino do sangue percorrendo as veias.
Outro do sangue banhando as paredes de carne
assim como a espuma do mar banha os rochedos.
Entre um corpo e outro, há um espaço.
Pois cada corpo é uma cápsula
e carrega seus próprios badulaques.
Mas na cidade os corpos se reúnem.
E são tantos e um do outro tão diversos
que acabam por chocar –se entre si,
às vezes leve, ás vezes violentamente.
E desse choque nasce espanto.
Pois na cidade o corpo toma consciência
da existência de inumeráveis outros corpos
semelhantes a ele porém dele diversos.
É um saber da carne.
Um reconhecimento da carne.
Como se a carne disesse:
“aqui, no espaço onde habito
há mais carne movente,
há muitos objetos de carne.
São parecidos comigo
mas são estranhos a mim”.
É uma descoberta e uma revelação.
Acontece então que uma cápsula resolve tocar outra cápsula.
Desse encontro, conforme as circunstâncias, nasce uma cápsula nova.
Quando uma cápsula penetra a outra cápsula e nela injeta
Um preparado branco, uma outra cápsula vem habitar a cidade.
A carne da qual o corpo é feito sabe da existência
De suas comparsas na cidade.
Ela interage com as outras e admira-se quando
Uma de suas companheiras perece.
Pois como todo objeto a carne tem a duração
Determinada por fatores que ela mesma gera.
(Acontece de quando em quando que a carne
Tenha sua duração abreviada por fatores que independem dela.
Há casos em que a carne interrompe voluntariamente
Sua própria duração.)
Falta dizer que há uma força que move a carne.
Não se sabe a razão dela ou sua proveniência.
Mas é uma força-mestra, semelhante àquela
Que alimenta as plantas e os protozoários.
Muito se diz sobre o sentido dessa força.
Até o momento, não se chegou a nenhuma conclusão.
A origem da força que move a carne permanece incógnita.
Cities in dialogue: photo 1 and text 1: Berlin (Ísis Fernandes); photo 2: Bauru (Gabriela Canale); text 2: Londrina (Ygor Raduy).


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