Nas cidades há casas, onde não moram gentes. Elas são suspensas. Se prendem ao chão quase que brotando dele. As casas de ninguém são ilhas, pousam nelas passarinhos, passageiros que vão e vêm, a tarde que passa, o sol que inunda e os olhares.
Parecida com essas quase-casas há outra (mais acima do tronco), a órbita. Nela moram os olhos, que se confundem com os topos das àrvores, os cílios (pétalas dos olhos) dançam o ballet das folhas: verdes!
É deles que nascem os olhares que sobrevoam e capturam (atentos) a cidade, as casas suspensas, as gentes temporárias.
Cities in dialogue: video – São Paulo (Gabriela Canale); photo 1 – Bauru (Luciana Franzolin); photo 2 – Berlin (Ísis Fernandes)


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