cidade-sala-de-exposição

São cortinas que abertas ou entrecerradas, como se atrás houvesse um palco, são mantos, placas de vidro que ocultam a estrutura da cidade. A cidade velada por lençóis de matéria quase transparente, são as janelas que abertas ou meio abertas deixam ver que a cidade está por trás das lâminas – há um certo pudor, uma delicadeza daquilo que permanece por trás das coxias. Mas se uma pessoa resolve explorar a cidade, deve então avançar, afastar as cortinas, deve esquecer o pudor – como quando se desnuda um corpo – com a mesma curiosidade excitada que leva a desnudar um corpo. E então abre-se a imensa galeria.  Descerra-se a sala onde transcorre a exposição. E então surgem, como se recém-surgidos, os ângulos, as frestas, os vãos, as linhas curvas e as linhas retas. Fazer essa experiência é como olhar a cidade pela primeira vez. Surgem cartazes, surgem túneis, muros, precipícios. É possível até mesmo desafiar a vertigem e arriscar um giro, um vôo pelos céus que a cidade abre.

Artistas e Cidades em Diálogo: vídeo 1  de Gabriela Canale (São Paulo); video 2 de Ygor Raduy (Londrina);  foto 1 e 2 de Ísis Fernandes (Berlim); texto de Ygor Raduy.


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