Talvez as cidades nos filmem e mandem por satélites para todas as mil outras cidades.
Talvez as antenas nos captem,
de São Paulo a Berlim e Berlim – São Paulo.
E aí, talvez, as gentes sejam reflexos, desfocados, entre caminhos.
E mil telespectadores nos consumam, com fome de canibais.
Talvez nas casas as antenas cinzas, se pareçam guarda-chuvas
e nos deixem de fora da programação, a escorrer, pingar mil-gotas, batendo na lona, palpitando chorosas.
Nas cidades, as gentes já viraram imagens, impulsos, ondas, temporárias silhuetas,
que nebulosas se esquecem nas esquinas, sem pontas ou cruzamentos, das mémorias…
Artistas em Diálogo|Cidades em Diálogos: texto e foto 1, 2 e 3 de Ísis Fernandes (Berlim), foto 2 com intervenção fotográfica de Gabriela Canale (Berlim e São Paulo)



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